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23 de janeiro de 2015

Antes que a prata pudesse ser transportada, tinha de ser cunhada em reais na Casa da Moeda de Potosí. A maior parte ia para Europa por duas rotas diferentes, a oficial e a “porta dos fundos”.

A rota oficial, sob o controle da coroa espanhola, seguia para oeste, por sobre as montanhas, até o porto de Arica, no litoral, numa viagem de lombo de mula que levava dois meses e meio. Do litoral do Peru, era remetida por mar até o Panamá, de onde os navios espanhóis a transportavam pelo Atlântico até Cádiz, porto que atendia a Sevilha, centro do comércio mundial de prata.

A porta dos fundos era tecnicamente ilegal, mas tão lucrativa que escoava por ela até um terço da produção de prata de Potosí. Essa rota ia para o sul, até o rio da Prata, na Argentina, a terra da prata. Chegava a Buenos Aires, de onde os mercadores portugueses a transportavam pelo Atlântico até Lisboa. Lá, era trocada por mercadorias necessárias no Peru, principalmente escravos africanos.

Boa parte da prata que chegava a Lisboa e Sevilha seguia rapidamente para Londres e Amsterdã, mas não se demorava por lá. Passava por elas e seguia para o destino final, o lugar que os europeus chamariam mais tarde de “túmulo do dinheiro europeu”: a China.

No livro O Chapéu de Vermeer, de Timothy Brook