#370

1 de abril de 2017

Napoleão gostava do Egito: não das moscas, da sujeira e das doenças, mas da terra e do modo de vida. “Napoleão” significa “leão do deserto” e ele gostou do deserto da mesma maneira que a maioria dos homens de seu tempo amava o mar. Ele gostava de atravessar o grande deserto de areia, geralmente a cavalo, mas às vezes no dorso de um camelo.

O lado espartano de seu caráter combinava com a vida simples dos egípcios, onde posses contavam pouco e o caráter, muito. Ele gostava da confiança deles na Providência. Ele até gostava do modo como se vestiam. Uma vez ele experimentou usar turbante, túnica até os tornozelos e uma adaga em forma de meia-lua. Mas Tallien, que editava o jornal semanal de Napoleão, lançou um olhar republicano sobre essa indumentária oriental e, a conselho seu, Napoleão não usou mais.

Acima de tudo, talvez, ele gostasse do nome pelo qual os egípcios o chamavam: sultão el-Kebir. Mais do que uma tradução de “comandante-chefe”, ele sugeria que eles aceitavam Napoleão no lugar do sultão otomano como governante.

Napoleão, de Vincent Cronin