#384

3 de maio de 2017

Com 22 anos, no auge de sua juventude, para aqueles que viam o czar pela primeira vez, sua característica física de maior de destaque era a altura: com aproximadamente 2 metros, o monarca se elevava sobre todos à sua volta, ainda mais naqueles dias em que a média de estatura do homem comum era menor que atualmente.

Por mais alto que fosse, todavia, o corpo de Pedro era mais angular do que sólido. Ombros eram incomumente estreitos para sua estatura, os braços, longos, e as mãos, que mostrava ansiosamente, fortes e grosseiras, cheias de calos permanentes em consequência de seu trabalho no estaleiro. Naquele tempo, o rosto de Pedro era arredondado, ainda jovem, e quase belo. Usava um pequeno bigode e andava sem peruca, deixando os cabelos lisos e castanhos na altura entre as orelhas e os ombros.

Sua qualidade mais extraordinária, ainda mais notável do que a altura era, entretanto, a energia titânica. Não conseguia ficar sentado ou parado por muito tempo no mesmo lugar. Andava tão rapidamente com passos largos e soltos que aqueles que o acompanhavam tinham de acelerar para manter o ritmo. Quando forçado a fazer trabalhos burocráticos, andava de um lado para outro perto de uma mesa suficientemente alta a ponto de lhe permitir trabalhar de pé.

Sentado durante um banquete, comia por alguns minutos e então corria para ver o que estava acontecendo na sala ao lado ou para fazer caminhadas ao ar livre. Precisava se movimentar e gostava de gastar energia dançando. Quando passava certo tempo em um lugar, sentia vontade de sair, queria se movimentar, ver novas pessoas e novas paisagens, formar novas impressões. A imagem mais acurada de Pedro o Grande, é aquela de um homem que, por toda a vida, esteve sempre curioso, sempre incansável, sempre em movimento.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie