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28 de maio de 2017

A batalha de Lodi marca um novo estágio no desenvolvimento de Napoleão. Ele havia vencido combates anteriores com habilidade estratégica ou tática, mas aqui, contrariando todas as expectativas, ele havia incitado ao extremo da coragem, para uma vitória final, um exército esfarrapado, que por meses mal se alimentou de batatas e castanhas. Em Lodi, pela primeira vez ele se tornou ciente de seu poder de liderança.

Cinco dias depois, Napoleão entrou em Milão. Uma delegação humildemente lhe trouxe as chaves da cidade. O líder Napoleão dirigiu-se severamente à delegação: “Ouvi dizer que vocês tem homens armados”. “Somente 300, para manter a ordem”, responderam os italianos, acrescentando com a característica bajulação: “Não são soldados de verdade como os seus”. Isso fez Napoleão sorrir.

Enquanto sinos dobravam a partir da catedral de mil pináculos, e multidões de burgueses milaneses aplaudiam, Napoleão tomou como residência o palácio do qual o arquiduque austríaco havia fugido recentemente, depois de fazer milhões com o milho acumulado. Em um jantar oficial, falando em italiano, ele prometeu ao povo de Milão a eterna amizade da França. Aos Diretores ele escreveu: “A Tricolor sobrevoa Milão, Pavia, Como e todas as cidades da Lombardia”. Ele tinha motivos para estar satisfeito. Cumprira os dois primeiros atos estabelecidos: paz com Piemonte, conquista do ducado de Milão. Ainda restava o Ato III, vitória decisiva sobre os austríacos, e com isso a paz da vitória.

Napoleão, de Vincent Cronin