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2 de setembro de 2017

As artes, particularmente a música e a tragédia, tinham um papel importante na vida de Napoleão, e ele, como os outros governantes da França, fez muito para estimulá-las, aproximando-se de escritores, pintores e músicos, e gastando generosamente no teatro e no balé. Mas o imperador era diferente de seus predecessores. Ele influenciou as artes não apenas através de seu gosto pessoal, mas através de suas ações, já que suas vitórias no campo de batalha estampariam uma cadeira de salão da mesma forma que os temas de grandes óperas.

A combinação do gosto de Napoleão com artistas inspirados por suas vitórias é que traduz o estilo do Império. Embora Napoleão não gostasse particularmente dos parisienses, queria tornar Paris a melhor cidade Europa, “a capital das capitais”, e foi ali que ele concentrou suas obras públicas e construções. Ele começou construindo uma rota triunfal, cortando a cidade de leste a oeste. Ele instruiu seus arquitetos favoritos. Percier e Fontaine, a produzir algo simétrico e regular; talvez ele tenha mencionado Vicenza de Palladio, que ele tinha visto pessoalmente.

O resultado foi a longa, reta arqueada rue de Rivoli. Napoleão queria que fosse uma rua sóbria, e não permitiu letreiros de lojas, nada de ruído de martelos, padeiros, açougueiros. Ao norte dela, construiu outra rua reta, a rue de Castiglione, que, na outra extremidade da Place Vendôme, se torna a rue de la Paix. Ao construir estas ruas, tão diferentes da rede de becos ao redor, Napoleão instilou uma nova atmosfera na capital imperial, descrita mais tarde por Victor Hugo: “A velha Paris não é mais que uma rua eterna; Que se estende elegante e reta como um ‘i’; Dizendo Rivoli, Rivoli, Rivoli.”

Napoleão introduziu a iluminação a gás em Paris, e, por volta de 1814, a cidade tinha 4,5 mil postes de luz a gás. Ele também desenvolveu uma nova numeração das ruas. A Revolução havia introduzido a numeração por distritos, como em Veneza, tornando como consequência os números muito altos difíceis de localizar. O prefét, Frochot, queria que os números descessem de um lado de uma rua, atravessassem, e subissem pelo outro lado. Este era um problema matemático que interessou Napoleão. Foi ele quem decidiu que cada rua deveria ter números pares de um lado e ímpares do outro; nas ruas paralelas ao Sena, a numeração seguiria o fluxo do rio; nas outras ruas, ela começaria a partir da extremidade mais próxima do rio. O sistema de Napoleão dura até hoje. Para tornar as coisas ainda mais claras, Napoleão fez com que os números de ruas paralelas ao Sena fossem pintados em um fundo vermelho, e os outros em fundo preto.

Napoleão, de Vincent Cronin