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9 de setembro de 2017

No começo de junho, Napoleão descobriu que o marechal Wurmser, um francês da Alsácia a serviço da Áustria, havia deixado o Reno com um grande exército austro-húngaro, e estava marchando para o sul para expulsá-lo da Itália. Napoleão calculou que Wurmser não conseguiria chegar antes de 15 de julho. Isso lhe deu seis semanas para precipitar-se até os Estados Papais e a Toscana, amedrontá-los para a neutralidade, e coletar todo o ouro que pudesse para os cofres vazios da França.

Napoleão havia marchado com rapidez na primavera, mas naquele verão marchou ainda mais rápido. Voltando a atravessar o rio Pó, ele entrou na parte mais ao norte dos Estados Papais, Emilia-Romana, espalhou o exército papal de 18 mil homens, entrou em Florença e se apossou de Livorno, um importante enclave comercial e bancário inglês. Ali ele capturou navios e ouro. Ele também equipou os 500 refugiados corsos em Livorno, e organizou uma expedição que no final do ano deveria tornar Córsega mais uma vez francesa. No dia 13 de julho ele estaria de volta a Milão, depois de marchar quase 500 km em menos de seis semanas, aterrorizou toda a Itália central e se apossou, em pilhagens e indenizações, de 40 milhões de francos, a maior parte em ouro.

Após derrotar Wurmser em 1796, Napoleão queria avançar sobre os Alpes até a entrada de Viena. Mas primeiro ele tinha outra tarefa. Pio VI e seus cardeais detestavam a República Francesa; apesar do ataque punitivo no ano anterior, eles simpatizavam abertamente com a Áustria e fizeram de Roma uma capital de atividades de exilados. Napoleão recebeu ordens dos Diretores para marchar na direção sul uma segunda vez e punir o Papa.

A estratégia foi bem recebida, mas por outro motivo. Ele protegeria sua retaguarda quando chegasse a hora de marchar até a Áustria. Assim, no dia 1 de fevereiro, Napoleão partiu, percorrendo rapidamente as cidades papais: Bolonha, Faenza, Forli, Rimini, Ancona, Macerata. Houve pouca resistência. Certa ocasião, Lannes, comandando a unidade de reconhecimento, deparou-se com centenas de soldados da cavalaria papal. Com ele havia somente alguns oficiais de serviço, mas Lannes galopou até o inimigo. “Alto!”, ele ordenou. Eles pararam. “Desmontem!” Eles desmontaram. “Rendam suas armas!” E para o espanto de Lannes, fizeram exatamente isso. Então foram feito prisioneiros.

No livro Napoleão, de Vincent Cronin