#442

16 de setembro de 2017

Napoleão conduziu seu exército surrado para baixo da costa da Terra Santa, e para dentro do Deserto do Sinai. Em fevereiro, a cavalo, essa jornada já havia sido ruim, mas agora, a pé, com uma longa fileira de feridos, em um calor que chegava a 54°C, era uma lenta tortura. No entanto, no começo de junho Napoleão trouxe a maior parte de seu exército a salvo de volta para o Egito e se preparou para repelir o exército turco que deveria chegar em breve.

Os turcos se aproximaram da margem perto de Alexandria no dia 11 de julho, acamparam na península próxima a Abukir, e ali, no dia 25 de julho, Napoleão os atacou. Ele tinha 8 mil homens contra 9 mil turcos, basicamente uma elite de janízaros vestidos com largas calças azuis e turbantes vermelhos, armados com mosquetes, pistolas e sabres. Eles se organizaram em duas fileiras com quase 2 km de distância entre eles; a primeira fileira em uma planície, a segunda em uma colina chama Monte Vizir. Atrás deles havia o mar, e o mar, Napoleão decidiu, seria seu aliado mais confiável na batalha a seguir.

Napoleão enviou Lannes e L’Estaing contra o centro da primeira fileira turca, e Murat com a cavalaria para derrubar tanto o flanco direito quanto o esquerdo. Isso levou os turcos de volta ao Monte Vizir. Napoleão então descansou suas tropas e continuou a batalha às três da tarde. Murat, vestindo um exuberante uniforme com mais detalhes dourados do que tecido azul mostrou uma soberba coragem. Mustafa, o general turco de barba branca, disparou uma pistola direto na sua mandíbula inferior, ao que Murat tirou a pistola da mão do paxá com seu sabre, arrancando dois dedos com ele, e continuou a conduzir sua cavalaria para dentro do grosso dos janízaros, por fim varrendo-os para o mar: 5 mil turcos perderam suas vidas afogados, cerca de 2 mil foram mortos e 2 mil capturados. Somente alguns escaparam.

A estratégia de Napoleão, combinada à coragem de Murat, fez de Abukir uma importante e providencial vitória francesa. Ela limpou a mácula que fora a derrota em Acre. “Diga a todas as jovens senhoras”, Murat escreveu para casa, “que mesmo que Murat tenha perdido parte de sua boa aparência, nenhuma dirá que ele perdeu qualquer bravura na guerra do amor”.

Napoleão, de Vincent Cronin