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17 de setembro de 2017

Observando as táticas de Napoleão, descobrimos que ele empregava excessivamente ataques simulados e movimentos de flanco. Em uma noite escura, aconteceu de Napoleão encontrar um inimigo que ficou para trás, um capitão veterano do exército austríaco. Sem revelar sua identidade, Napoleão perguntou em italiano como estavam as coisas. “Mal”, respondeu o austríaco. “Eles enviaram um jovem maluco que ataca para a direita e para a esquerda, para a frente e para trás. É uma forma intolerável de fazer guerra”.

Se ele queria dizer que Napoleão ignorava os manuais e atacava onde quer que enxergasse um ponto fraco, o austríaco estava certo. Em cada uma de suas batalhas mais importantes, tanto em Lodi quanto em Rivoli, Napoleão enviou parte de seu exército para tomar o inimigo no flanco ou na retaguarda. Ás vezes o movimento de flanco era pequeno: em Arcola, por exemplo, somente 800 homens e quatro canhões; mas quase invariavelmente era suficiente para surpreender e desmoralizar.

Os dois demais fatores nos sucessos de Napoleão, concentração de força e velocidade, estão intimamente ligados. Napoleão podia ter menos homens na teoria, mas ao concentrar esses homens contra uma parte do inimigo ele quase sempre planejava ser numericamente superior em campo. A concentração era atingida com essas incríveis marchas forçadas, milhares de quilômetros para cima e para baixo da Itália, sobre as montanhas cobertas de neve e planícies esturricadas pelo sol, de Nice a Verona, de Ancona até Semmering: daí o motivo da observação de Clarke, “Ele não poupa seus homens o suficiente”. Mas, a rapidez em campo era somente um aspecto dessa rapidez no próprio corpo e cérebro de Napoleão, que já havia sido notada.

Napoleão resumiu melhor do que ninguém todo o mecanismo delicadamente equilibrado em uma carta aos Diretores: “Se eu conquistei vitórias sobre forças muito superiores às minhas… foi porque, confiante de que os senhores acreditavam em mim, minhas tropas se moveram tão rápido quanto meus pensamentos”.

No livro Napoleão, de Vincent Cronin