#450

4 de outubro de 2017

Havia ouro no tesouro e um orçamento equilibrado pela primeira vez desde 1738; um novo código de leis administrado de forma justa, no geral; um sistema de ensino que abria todas as carreiras aos talentos; homenagens àqueles que demonstrassem um esforço excepcional; obras públicas realmente úteis — esses eram chamados de “maciços de granito”, para usar a frase de Napoleão, sobre os quais ele construiu uma nova e próspera França. Isso porque a França comandada por Napoleão, apesar das guerras, desfrutava de uma prosperidade que não via há 130 anos.

Essa prosperidade pode ser avaliada porque Napoleão, o matemático, fundou em 1801, a primeira agência de estatísticas da França, e essa agência emitia relatórios anuais. E o mais importante é que havia ocorrido uma mudança que fugia das estatísticas. Um oficial do Governo de Seine Inférieure havia escrito na véspera do brumário: “Crime com impunidade, deserção encorajada, republicanismo corrompido, leis como letras vazias, bandidos protegidos”, e continuou descrevendo como a diligência Le Havre-Rouen era parada e saqueada regularmente. Em 1805, o préfet Beugnot, um homem ponderado, foi capaz de pintar um retrato bem diferente: o povo pagava seus impostos; a lei era aplicada, as crianças frequentavam a escola, não se ouvia falar em roubos em estradas, fazendeiros estavam aplicando métodos novos, as pessoas tinham dinheiro de verdade para gastar.

“Quinze anos atrás, havia somente um teatro em Rouen aberto três vezes por semana, agora há dois, abertos diariamente… Uma peça de Molière atrai multidões maiores em Rouen do que em Paris”. Em suma, as engrenagens estavam girando, a máquina funcionava. E os franceses — até onde suas faculdades críticas lhe permitiam — estavam gratos. Em 1799 havia “desgosto com o governo”; em 1805, Beugnot encontrou “um excelente senso cívico”.

No livro Napoleão, de Vincent Cronin