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18 de outubro de 2017

O inequívoco apoio dos vice-reis a Cixi pôs fim às esperanças dos ocidentais de persegui-la e derrubá-la. Muitos haviam defendido que ela fosse substituída pelo imperador Guangxu. Sir Claude MacDonald, o ministro-brintânico, foi um deles. Contudo, Lord Salisbury procurou dissuadi-lo: “Há o grande perigo de uma expedição prolongada e dispendiosa que, por fim, não terá êxito”. O primeiro-ministro rejeitava a ideia de uma ocupação conjunta de território conquistado: “A tentativa de empreender a manutenção da ordem no norte da China seria impossível mesmo se estivéssemos sozinhos, mas como essa política certamente provocaria um conflito entre nós e nossos aliados, só poderia terminar em desastre”.

Nenhuma ocupação seria bem-sucedida sem um colaborador chinês de alta categoria. No entanto, as potências se deram conta de que a maioria dos chineses de alto escalão “se alinhava solidamente” ao lado de Cixi. As potências haviam julgado que “o império estava nas mãos dos vice-reis”, que se opunham furiosamente a Cixi. Agora, porém, chegada a crise, percebiam que esses homens ainda se achavam dominados por ela. Nenhum deles se dispunha a dar um passo adiante para desafiá-la.

Uma coisa era mais que óbvia: Cixi era a única pessoa capaz de manter o império coeso. Sua queda teria como resultado a guerra civil, que para os ocidentais significaria especialmente o fim do comércio, o não pagamento de empréstimos e o recrudescimento do movimento dos boxers. Após fugir de Pequim diante da inevitável ocupação, Cixi fixou residência em Xian, a antiga capital imperial. Agora confiante em segurança, enviou seus representantes — o príncipe Ching e o conde Li — abrirem negociações com as potências estrangeiras.

A Imperatriz de Ferro, de Jung Chang