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25 de outubro de 2017

Uma característica notável da trajetória econômica do mundo é que durante a maior parte da história humana a Ásia foi a região mais rica da Terra. Estima-se que no primeiro milênio da era cristã ela era responsável por 75% da produção econômica mundial. Não que as pessoas ali fossem individualmente mais ricas; a renda per capita média era, afinal, notavelmente uniforme em todo o mundo. Isso ocorria pois havia mais pessoas na Ásia do que em outras regiões, em grande parte porque a agricultura do arroz sustenta maiores densidades populacionais.

Entretanto, a participação desse continente na produção econômica mundial começou a declinar com a ascensão das economias da Europa Ocidental, no final do segundo milênio d.C. Em 1700, elas já eram responsáveis por mais de 20% da produção mundial, e a participação da Ásia caíra abaixo de 60%. A virada veio no final do século XIX, quando as nações europeias se industrializaram e enriqueceram, mantendo grande parte da Ásia sob seus domínios coloniais.

Por volta de 1870, a participação da Europa na produção mundial subira 35% e a da Ásia declinara para aproximadamente o mesmo nível. A rápida industrialização dos Estados Unidos significou que, em 1950, eles e a Europa Ocidental eram responsáveis por cerca de 25% da produção mundial; a participação da Ásia (excluindo o Japão) caíra para 15%. Nas últimas décadas do século XX, algo extraordinário aconteceu e a mesa virou. O rápido crescimento em vários países asiáticos empurrou a participação da região na produção mundial de volta para 30%, à frente da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. A produção per capita mais que duplicou entre 1978 e 2000 na Índia, e cresceu quase 5 vezes na China.

A Ásia abriga hoje as economias que crescem mais rapidamente no mundo, tendo recuperado sua posição histórica como a região mais rica sob a ótica da participação na produção mundial. O rápido crescimento nos últimos anos — chamado por vezes de “milagre econômico asiático” — criou riqueza mais rápido que em qualquer momento da história, e tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza.

Muitos observadores agora esperam que a economia da China supere dos Estados Unidos em tamanho até 2035, o que tornaria a principal potência econômica do mundo. Assim como o século XX foi dominado pela ascensão dos Estados Unidos, o XXI parece predestinado a ser o século asiático, dominado pela ascensão da China. Vale notar, porém, que isso é apenas um retorno ao antigo status quo, após um curto interlúdio em que as potências europeias e suas ramificações estiveram brevemente no centro das atenções.

Uma história comestível da humanidade, de Tom Standage