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29 de outubro de 2017

A China é o poder em ascensão mais intrigante do mundo moderno. O crescimento explosivo da economia chinesa e a possibilidade de ser em breve a próxima superpotência, que dominará o Leste asiático e influenciará o resto do mundo, têm atraído o interesse mundial, admiração e inveja, ou apreensão. É uma mudança extraordinária de posição da China, que há meio século estava devastada pela guerra e empobrecida, sendo um objeto em vez de um sujeito, dos grandes poderes políticos.

A criação da China é uma das histórias mais confusas e turbulentas da humanidade. Da obscura compreensão de seus primórdios como um conjunto de tribos no vale do rio Amarelo, expandiu-se até se tornar o maior país do mundo, reunindo um quarto da população mundial; um país que fascina o exterior há 20 séculos. É uma história de violência, de invenções filosóficas e políticas, realizações artísticas brilhantes e, com frequência, de relações complexas e sutis com os estrangeiros.

“Histórias”, como o perspicaz historiador Simon Schama escreveu, “nunca se concluem, só fazem uma pausa”. Ao refletir sobre as relações entre as potências mundiais, vemos que o início do século XXI é um momento nitidamente ilusório para essa pausa. Em retrospecto, pode se revelar mais ilusório do que nítido, sobretudo quando as constelações da política e do poder mundiais revelam sinais de uma mudança importante e potencialmente radical.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber