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1 de novembro de 2017

O conceito de sistema tributário era reforçado pelo enorme tamanho, poder e sofisticação da China. No final do primeiro milênio, a população do império totalizava cerca de 60 milhões de pessoas, e o sistema tributário era o instrumento pelo qual a China impunha as regras e controlava as formas de conduta das tribos e reinos estrangeiros em suas relações com os chineses. Enfatizava um comportamento ritualístico e ético.

Nesse sistema, os estrangeiros enviados em missões ao império não só tinham de trazer um tributo como precisavam se comportar de um modo que reforçasse tanto a hegemonia regional da China quanto a visão chinesa de si mesma e do império como o centro da civilização humana. Essa concepção não só envolvia apenas a política, mas a “exterioridade” do que fora por séculos um elemento central das relações pessoais, sociais e externas.

A China era o Reino do Meio, localizado entre o céu e a terra, e o imperador, por ser o “Filho do Céu”, era o patriarca de uma família de povos centrada na China. Então, em retorno aos tributos e ao bom comportamento, os estrangeiros recebiam reconhecimento e direitos especiais de comercialização.

Para os chineses, esse sistema, é óbvio, reafirmava constantemente sua visão do mundo. Demonstrava que fora da China só havia bárbaros, que eram atraídos pelo brilho da civilização superior chinesa, sua arte, literatura, teatro, porcelana e sedas, e ansiosos para se beneficiar dela. Muitos desses pontos de vista continuam a repercutir com intensidade no século XXI entre os admiradores estrangeiros e chineses.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber