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5 de novembro de 2017

No Ocidente, acadêmicos e políticos estudaram durante séculos os filósofos gregos, a Bíblia e outras obras judaico-cristãs e os pensadores que a assentaram a base para a sociedade moderna do Ocidente tais como John Locke, Thomas Hobbes e Adam Smith. Não foi assim no Extremo Oriente. Historicamente, acadêmicos, escritores e dirigentes estatais daquela porção do mundo liam os clássicos confucianos, que proporcionavam a espinha dorsal ideológica das instituições governamentais do Leste Asiático, os currículos de suas academias e as normas do discurso social.

Na China, o conhecimento do cânone confuciano e dos muitos comentários e ensaios sobre ele foi tradicionalmente um pré-requisito para a ascensão social e profissional, o saber básico que alguém precisava ter para ser considerado verdadeiramente civilizado. Servidores públicos chineses conseguiram obter seus empregos por dominar aqueles clássicos no decorrer de 1900 anos. No Extremo Oriente, foi Confúcio, não Moisés, quem legou os padrões para a moralidade humana. Foi Confúcio, não Locke nem Jefferson, quem moldou a relação entre cidadão e Estado e a posição do indivíduo na sociedade.

O Confucionismo não foi a única influência sobre a civilização leste-asiática. O budismo, por exemplo, desempenhou um papel importante. Também tiveram importância religiões e ideológicas estrangeiras que chegaram à região ao longo dois últimos 200 anos, do cristianismo ao marxismo. E Confúcio está longe de ser o único filósofo brilhante da história asiática. Lao-Tsé, (talvez mítico) o fundador do taoismo, é apenas um dos vários pensadores importantes cuja influência ainda se pode sentir na vida asiática. No entanto, nenhum indivíduo teve mais ascendência sobre a religião por um período tão extenso quanto Confúcio. Com efeito, a história da civilização leste-asiática é equivalente ao desenvolvimento da doutrina confuciana.

Confúcio e o mundo que ele criou, de Michael Schuman