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12 de novembro de 2017

Em 53 a.C., o homem mais poderoso de Roma, Marco Licínio Crasso e suas legiões perseguiam os párticos (persas) no Eufrates — no atual Iraque — quando então os párticos subitamente deram meia-volta, pararam as legiões com uma saraivada de flechas e desfraldaram grandes bandeiras de seda. O brilho impressionante das bandeiras sob a luz intensa do sol desmoralizou por completo os romanos. Cercados, sofreriam uma das mais humilhantes derrotas da história e Crasso encontraria seu fim.

Mas os romanos descobriram que aquele material maravilhoso, deslumbrante demais para ter sido fabricado pelo ascendente Império Parta, provinha da área distante da Ásia Central. Os romanos logo procuraram obter mais desse material, e os partas e os árabes ficaram muito felizes ao enriquecerem como revendedores no comércio entre o Oriente e o Ocidente. As roupas de seda logo se converteram em trajes tão elegantes que, em 14 d.C., o imperador Tibério proibiu os homens de usá-las, a fim de que os romanos não se transformassem em homens muito decadentes.

Em 166 d.C., os romanos enviaram emissários à capital Han, Loyang, e rotas comerciais abriram-se entre a China, o Golfo Pérsico e portos do mar Vermelho. O comércio continuou, com Roma e seu império enviando vidro, produtos têxteis, tintas, pedras preciosas, coral e âmbar para a China; e também ouro, porque a seda tinha de ser paga em metal precioso. Em contrapartida, a China vendia, além da seda, cerâmicas, laca, peles, e ruibarbo, que muitos chineses pensavam ser tão essencial para a digestão dos ocidentais que ameaças de privá-los de seu suprimento poderia ser uma arma diplomática útil.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber