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19 de novembro de 2017

A família manchu governante, os Aisin-Gioro, produziu uma sucessão de imperadores aptos e laboriosos, monarcas absolutistas que tomava pessoalmente todas as decisões importantes. Não existia sequer um primeiro-ministro, mas apenas um grupo de auxiliares, o Grão-Conselho. Os imperadores se levantavam ao romper da madrugada para ler relatórios, realizar reuniões, receber autoridades e emitir decretos. Os relatórios, provenientes de todas as partes da China, eram objeto de atenção assim que chegavam, e raramente alguma questão ficavam sem ser resolvida por mais do que alguns dias.

A sede do trono era a Cidade Proibida. Talvez o maior complexo de palácios imperiais do mundo, esse conjunto retangular ocupava uma área de 720 mil metros quadrados, circundado por um fosso de mansões proporcionais. Todo o conjunto era cercado por uma majestosa muralha com cerca de dez metros de altura e quase nove de largura na base, com uma suntuosa porta em cada lado e uma imponente torre de vigia em cada um dos quatro cantos. Quase todos os prédios do conjunto eram revestidos de ladrilhos de cerâmica esmaltada, no tom de amarelo reservado à corte. Ao sol, os telhados recurvos eram uma explosão de ouro.

No livro A Imperatriz de Ferro, de Jung Chang