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22 de novembro de 2017

O fumo foi até a China por três rotas: a rota portuguesa para leste, do Brasil até Macau; a rota espanhola para oeste, do México até Manila; e uma terceira rota, que consistia de uma série de viagens curtas pela Ásia oriental, até Beijing. A primeira e a segunda rotas desenvolveram-se mais ou menos ao mesmo tempo, com o fumo convergindo em Macau e Manila e, a partir desses portos comerciais, seguindo para a China: de Macau para a província de Guangdong e de Manila para a província de Fujian, mais ao norte do litoral.

Foi em Fujian que ganhou a fama como lar do fumo na China. Nos navios chineses vindos de Manila, ele chegou a vários portos, dos quais mais o mais importante foi o porto da Lua, que servia à Prefeitura de Zhangzhou, na extremidade sul do litoral de Fujian. Fang Yizhi, brilhante erudito do século XVII, muito interessado no conhecimento do mundo externo, data a sua chegada a Fujian da década de 1610, cerca de três décadas antes que ele mesmo chegasse a Fujian, disfarçado de mascate de remédios para fugir do exército manchu que invadiu o sul da China em 1645.

Fang identifica a família Ma, de Zhangzhou, como os maiores processadores de fumo. Era óbvio que tiveram sucesso com o novo produto, que se espalhou como fogo no mato seco. “Aos poucos, disseminou-se em todas as nossas fronteiras, de modo que hoje todo mundo leva consigo um cachimbo longo e engole a fumaça depois de acendê-lo no fogo. Alguns se tornaram bêbados viciados.”

O Chapéu de Vermeer, de Timothy Brook