#476

3 de dezembro de 2017

O imperador representava o ápice do governo e era o grande executor de transgressões. Qualquer poder alheio era mantido apenas pelo capricho do imperador. A aristocracia rural foi substituída por funcionários regionais nomeados. O protesto e a rebelião da aristocracia foram enfraquecidos pela mudança forçada de umas 120 mil famílias dominantes para novos palácios na capital em Xi’an, onde viviam de estipêndios sob a vigilância do imperador. Ao mesmo tempo, a presença desse grande grupo aristocrático atraiu comerciantes e artesãos, e assim a capital se tornou um centro de cultura e arte.

Huangdi também ordenou que as muralhas das cidades no império todo fossem derrubadas e que as armas privadas ou dos clãs fossem apreendidas e fundidas. Ele fomentou o poder burocrático centralizado e uma nova elite de funcionários subordinada ao governante. Instaurou novos princípios de responsabilidade em grupo, de modo que cada membro de família ou de um grupo fosse responsável pelos erros cometidos por qualquer outro membro. Isso significava que uma família inteira de um transgressor poderia ser punida, até mesmo executada, pelo seu ato. Esses fatos ocasionaram uma forma de governo que politizava todos os aspectos da vida chinesa, do comércio aos costumes, às ideias e à arte.

Estendeu-se à elaboração de sistemas diferenciados de escrita, arte e literatura, ao desenvolvimento de um texto padronizado e do primeiro léxico. Na época em que Huangdi assumiu o trono, muito ja havia sido feito para codificar as leis e padronizar os pesos e as medidas, mas ele foi além. Introduziu um código legal uniforme em todo o império e uma moeda de metal padrão. Além disso, promoveu grandes aperfeiçoamento na agricultura e na irrigação.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber