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13 de dezembro de 2017

Para Confúcio, despender energia com tais assuntos era perda tempo. Ele era em grande medida um homem do aqui e agora, focado no primordialmente real. Procurava instilar moralidade nos homens, assegurar o bom governo, fortalecer a família e ensejar prosperidade à sociedade. Seu objetivo era enviar as pessoas a serem virtuosas e a empregar essa virtude construindo uma sociedade melhor. A seu ver, especulações extravagantes sobre o incognoscível eram uma distração da tarefa mais importante (e mais prática) de tornar o mundo um lugar mais harmonioso.

Em vez de dirigir seus seguidores para o outro mundo, Confúcio queria engajá-los neste aqui. Não prometia nenhuma recompensa pessoal, fosse material, fosse espiritual, àqueles que aderissem aos seus ensinamentos. Não havia nenhum portal celestial, nem belas virgens à espera dos pios, nem garantias de que a alma seria libertada dos vínculos da carne. Confúcio tampouco ameaçava aqueles que ignorassem suas exortações com castigos medonhos. No confucionismo não existe nenhum diabo nem condenação eterna; tampouco uma pessoa pode renascer como uma lesma-do-mar. Como afirmou a estudiosa Lee Dian Rainey: “Na tradição confuciana, caso alguém se comporte mal, o pior que podemos fazer é dizer-lhe: ‘Ora, você não é um homem distinto!’”

Confúcio esperava que as pessoas fizessem a coisa certa porque aquilo era a coisa certa a fazer, não porque seriam compensadas a certa altura do porvir. O benefício que alguém recebia por uma boa ação era a noção de que se portara de modo honroso e talvez tivesse feito algum bem para o mundo. A experiência confuciana era em grande parte medida uma busca da perfeição moral. “O homem distinto examina seu coração para que não possa haver nada de injusto ali e para que ele não possa ter nenhum motivo de insatisfação consigo mesmo”, explicava um clássico confuciano. “Aquilo que no homem distinto não pode ser igualado é simplesmente isto: sua obra, que os outros homens não podem ver”.

Confúcio e o mundo que ele criou, de Michael Schuman