#483

20 de dezembro de 2017

As fronteiras de seu mundo eram rodeadas de desertos, oceanos e montanhas. O isolamento, com suas graves consequências, foi fortalecido por conflitos constantes com tribos guerreiras e bandos de salteadores da Ásia Central, que em torno de 1700 a.C. viajavam de um oásis perigoso a outro, ao passo que a China ficou separada por algo entre 490 e 644 mil quilômetros das civilizações emergentes da Índia e da Grécia. Em qualquer contexto político, a China era uma terra sem vizinhos.

A geografia ajudou a configurar as fundações da sociedade chinesa de outras formas. A China concentrou-se, no início, em dois vales colossais banhados por rios e nas terras que os circundavam (semelhante à conexão da antiga Pérsia com as artérias de seus grandes rios, o Tigre e o Eufrates). Eles foram temas centrais e contínuos na história da China.

Apesar das crises ocasionais de escassez de víveres, a China desenvolveu um sistema sofisticado de agricultura, cada vez mais baseado na irrigação. Também implementou uma agricultura intensiva que exigiu muita mão de obra, fator que tem sido a base do sistema social desde então, o que proporcionou, entre outras coisas, uma forte coesão social. Mesmo nos tempos modernos, a China alimentou cerca de 23% da população mundial com apenas 7% de terra cultivável.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber