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31 de dezembro de 2017

No século V a.C., pelo menos 6 províncias chinesas fabricavam seda, e, em cada primavera, a imperatriz abria a temporada do cultivo da seda. Era um trabalho árduo reservado às mulheres. As filhas, mães e avós das famílias dedicavam bastante tempo durante o dia para alimentar e cuidar dos bichos-da-seda, separar os casulos e tecer, tingir e bordar o material de seda. Ao mesmo tempo, as técnicas e os processos de fabricação eram um segredo de Estado. A revelação desses segredos ou a tentativa de contrabandear ovos de bichos-da-seda ou o casulo significava a morte.

A medida que o uso da seda se tornou mais difundido, a manutenção do segredo ficou mais difícil. Durante o século IV a.C., quando os gregos e os romanos começaram a falar dos homens do reino da seda e do reinado do imperador Wudi, embaixadores viajavam a lugares tão distantes como a Pérsia e a Mesopotâmia, carregando diversos presentes, inclusive seda. Também durante a dinastia Han, os lavradores podiam pagar seus impostos com seda, e o material foi usado para pagar funcionários. Na verdade, foi utilizado como uma forma de dinheiro: os valores eram calculados pelo comprimento da seda, da mesma maneira que outros poderiam usar o outro e a prata.

Nesse ínterim, em torno do ano 200 a.C., o conhecimento do cultivo da seda chegou à Coreia por intermédio de imigrantes chineses. Logo depois, o conhecimento do cultivo do bicho-da-seda alcançou a Índia e mais adiante. A seda tornou-se popular em Roma. Um relato do ano 380 a.C. dizia: “O uso da seda, que antes fora restrito à nobreza, agora se disseminou por todas as classes sem distinção, mesmo as mais baixas.” E menos de trinta anos depois, quando Alarico, rei dos gogos, estava sitiano Roma, ele pediu, como recompensa para poupar a cidade, não só ouro, prata e pimenta, mas também 4 mil túnicas de seda.

Dizia-se que mais tarde, em torno de 440 d.C. uma princesa chinesa casou-se com um príncipe de Khotan, um reino perto do deserto ocidental, e ele contrabandeou ovos de bicho-da-seda colocando-os nos cabelos dela. Um século depois, ao redor de 550 d.C., dois monges nestorianos foram para a corte do imperador bizantino Justiniano com bichos-da-seda escondidos em seus bastões de bambu ocos. Os bizantinos logo criaram oficiais imperiais e a partir de então, junto com as exportações da China, o conhecimento da fabricação continuou a se difundir. Esses foram os acontecimentos inicias que tornaram a seda o tecido luxuoso favorito no mundo inteiro.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber