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3 de janeiro de 2018

A China foi o grande destino global da prata europeia por duas razões. Em primeiro lugar , o poder da prata de comprar ouro nas economias asiáticas era maior do que na Europa. Se 12 unidades de prata eram necessárias para comprar uma unidade de ouro na Europa, o mesmo volume de ouro podia comprado por seis ou menos unidades na China. Em outras palavras, a prata vinda da Europa comprava duas vezes mais na China, comparada ao que conseguia comprar na Europa.

A segunda razão para a China ser o destino da prata era que os mercadores europeus tinham pouca coisa a mais para vender no mercado chinês. Com exceção das armas de fogo, os produtos europeus não podiam competir em qualidade e custo com as manufaturas chinesas. As manufaturas europeias pouco ofereciam além da novidade. A prata era a única mercadoria capaz de competir com o produto nativo, pois ali a produção de prata pequena.

Havia minas de prata na China, mas o governo restringia severamente a produção, temendo não conseguir controlar o fluxo de prata das minas para particulares. Também se recusava a cunhar moedas de prata e restringia a cunhagem às moedas de bronze, na esperança de que isso mantivesse os preços baixos. Entretanto, essas medidas de nada serviram contra a necessidade de prata da economia.

Com o crescimento da economia, a demanda de prata cresceu. No século XVI, na China, o preço de tudo, com exceção das transações pequeníssimas, era aferido em peso de prata, não em unidades monetárias. e é por isso que os chineses entenderiam imediatamente o que Catharina Bolnes fazia em Mulher com balaça. Pesar prata fazia parte das transações econômicas cotidianas na China.

O Chapéu de Vermeer, de Timothy Brook