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6 de janeiro de 2018

Com o enfraquecimento da dinastia Tang no século VIII e a medida que a desordem novamente tomava conta da China, os confucianos culparam a proliferação do budismo e pelos males com que a nação se deparava. O problema, julgavam os confucianos, era que o budismo obnubilara as mentes dos homens; a sabedoria de Confúcio fora esquecida.

“Quando crentes tomavam esse homens [Buda e Lao-Tsé] como seus mestres e os seguiam, desprezavam e difamavam Confúcio”, escreveu Han Yu. “E aqueles de época posteriores que desejassem ouvir falar dos ensinamentos sobre humanidade e retidão, sobre o Caminho e o seu poder, não tinham ninguém a quem escutar. […] Hoje enaltecemos práticas bárbaras e as colocamos acima dos ensinamentos de nossos reis pregressos. Quanto tempo levará até que nós mesmo tenhamos todos nos tornado bárbaros?”.

A ascensão de uma nova dinastia deu uma nova esperança aos confucianos. No ano de 960 os Song se apoderaram da nação e adotaram o confucionismo com um fervor não visto desde os tempos dos Han — nem talvez por qualquer dirigente até aquela altura da história da China. Nos três séculos do regime Song, constituíram-se uma administração imperial, um sistema educacional e uma ideologia nacional que moldaram cada dinastia subsequente tendo Confúcio e seus ensinamentos como força dominante e indiscutível núcleo da cultura política do país. Depois que a dinastia Song reconduziu o Rei Não Coroado ao seu trono, ele não foi mais derrubado daí até o final do próprio regime imperial, no início do século XX.

Confúcio e o mundo que ele criou, de Michael Schuman