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7 de janeiro de 2018

Os Song reivindicaram o poder de um modo nada confuciano: com um golpe militar. Zhao Kuangyin, um conselheiro da dinastia Zhou Posterior, um império de vida curta que surgiu após a queda dos Tang, fingiu sair da capital com suas tropas para defender a nação de bárbaros ameaçadores postados na fronteira. Em vez disso, fez com que eles avançassem e coagiu o imperador de seis anos de idade a abdicar. Em seguida Zhao proclamou o surgimento dos Song. Após a sua morte alcunharam-no Taizu, “Progenitor Supremo”.

Taizu se revelou um dos imperadores mais competentes, engenhosos e determinados da longa história da China, e como sua nova dinastia estava buscando se firmar ele precisava de todas as suas habilidades para mantê-la viva. Tribos do norte reivindicavam um pedaço do território no noroeste que anteriormente era controlado pelos chineses, e passaram a cobiçar a área central da China. Taizu ainda estava por completar a unificação de um país que vivia no caos fazia décadas. Além disso, receava que seus comandantes militares o atraiçoassem e reivindicassem pedaços de seu império para si. Para consolidar sua dinastia, Taizu precisava de um programa claro para seguir e de uma ideologia vigorosa que sustentasse seu regime.

Os confucianos estavam de prontidão. A solução para os males da nação, como Han Yu sustentara era recuperar os métodos dos antigos reis sábios — o Caminho que fora ensinado por Confúcio e consagrado em seus clássicos. Com o sábio revigorado, sustentavam seus seguidores, a nação retomaria a paz e a prosperidade. “Tolos de épocas recentes têm afirmado que os tempos são diferentes e as coisas mudaram, de maneira que [o Caminho] já não pode ser praticado”, escreveu o influente pensador confuciano Cheng Yi em memorando à corte Song de 1050. “Isso só demonstra o qual profunda é a ignorância deles; apesar disso, volta e meia os dirigentes dos homens são enganados pela conversa deles”. Os problemas que a China enfrentava podiam ser resolvidos fazendo-se com que os cidadãos chineses voltassem a se remeter à genialidade de Confúcio e a sua antiga sabedoria.

Confúcio e o mundo que ele criou, de Michael Schuman