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10 de janeiro de 2018

O que Confúcio resolveu estudar foram os escritos e rituais que mesmo em sua época era considerados antigos. Em sua busca de soluções para os percalços da China de seu tempo, voltou-se para um período que percebia como uma era dourada, quando a nação estava unificada e em paz: os anos iniciais da dinastia Zhou.

Para Confúcio, seus fundadores, bem como os dirigentes de tempos ainda mais pregressos, eram reis que governavam com virtude e sabedoria. A razão pela qual a China descambara para o caos, julgava Confúcio, era que os dirigentes da nação tinham abandonado os costumes dos Zhou. Assim, ele passou grande parte de sua vida estudando a filosofia, a história, a literatura e as práticas cerimoniais da Antiguidade chinesa, com o intuito de reintroduzir aquelas tradições na sociedade.

Pode ser que Confúcio tenha sido um dos poucos peritos sobre os costumes e a cultura dos Zhou a restar em sua época. Segundo Sima Qian, ele visitou a capital Zhou para observar os ritos antigos diretamente, de modo que ficasse mais apto a preservá-los e disseminá-los. A carreira política de Confúcio consistiu numa longa (e no fim das contas malsucedida) missão voltada a convencer os reis, duques e ministros dos beligerantes estados da China a aprender com seus antigos predecessores a governar com base nas ideias e nos rituais deles.

Desse modo, Confúcio serviu como um elo vital entre a China da Antiguidade remota e a China dos tempos mais modernos. Como historiador, pesquisou as lições do passado; como restaurador cultural, empenhou-se em propagar um esplêndido legado que corria o risco de ser completamente obliterado. Até certo ponto ele foi um fundamentalista cultural, motivado que era por uma inabalável crença de que somente as tradições da Antiguidade chinesa proporcionavam o antídoto para os males modernos.

Confúcio e o mundo que ele criou, de Michael Schuman