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13 de janeiro de 2018

Quando chegaram a Pequim às 11h30 de 21 de fevereiro de 1972, Nixon insistiu em sair do avião sozinho. Rogers, Kissinger e o restante da equipe da Casa Branca deveriam esperar até que fosse filmado o aperto de mãos entre o presidente e Zhou Enlai. “Fomos instruídos sobre isso pelo menos umas dez vezes antes de nossa chegada a Pequim”, lembrou-se Kissinger. Nixon estava determinado a não dividir os holofotes com ninguém diante de milhões de espectadores no país e no mundo enquanto a televisão registrava o momento histórico.

A equipe de Nixon ficou chateada com a ausência de pessoas nas ruas enquanto iam de carro para o lugar onde se hospedariam, no centro da cidade. Mas Nixon tinha instruído a equipe toda para divulgar que não esperava nem multidões nem badalações em sua chegada; o que, sem dúvida, era tudo o que o presidente esperava desfrutar sozinho.

Um tom de grandiosidade de ambos os lados marcou a visita. Agindo de forma consciente em um palco, Nixon, Kissinger, Mao e Zhou reforçaram a sensação de importância de ambos os países. Era como se eles compartilhassem a convicção de sua grandeza comum, que o encontro tornava ainda mais real para eles mesmo e verossímil para milhões de espectadores fascinados. “Seu aperto de mão”, Zhou disse a Nixon durante a ida para Pequim, “atravessou o oceano mais imenso do mundo — 25 anos sem comunicações”.

Logo depois da chegada, Mao convocou o presidente e Kissinger, mas não o secretário de Estado, claramente alguém sem importância, para conhecer o imperador da China na Cidade Imperial, onde ele governou o Reino dos Céus, forma como os chineses tradicionalmente descrevem seus domínios. Era tudo evidente, como Kissinger observou mais tarde, “que o mistério e a grandiosidade da eterna China resistam em meio a uma revolução que pregava destruir tudo o que era consagrado. Não havia como conter a sensação de poder transmitida por Mao”.

Nixon e Kissinger descreveram o primeiro encontro com Mao com grande admiração. Kissinger o chamou de “nosso encontro com a história” Com 78 anos e tendo sofrido vários derrames que debilitaram sua capacidade de se mover e falar, Mao precisou ser auxiliado para ficar de pé quando eles chegaram. Ele apertou a mão de Nixon durante um minuto. A conversa, que durou mais de uma hora, metade gasta com a tradução, foi notável pelos eufemismos da parte de Mao.

Para silenciar a questão de Taiwan, por exemplo, Mao introduziu Chiang Kai-shek na discussão declarando que Chiang “não aprovaria isso”. Para explicar os insultos entre eles, Mao disse: “De fato, a história de nossa amizade com ele é bem mais longa do que a história de amizade de vocês com ele”, assinalando, como Kissinger apreciava, que os chineses deveriam resolver sozinhos a questão de Taiwan.

Nixon e Kissinger, de Robert Dallek