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20 de janeiro de 2018

No pensamento de Confúcio, o soberano situava-se no topo de uma hierarquia que ditava responsabilidades sociais claramente definidas. Confúcio julgava que só se poderia restaurar a ordem na China se cada membro da comunidade cumprisse determinados deveres baseados em sua posição no mundo, a contar desde o soberano até o agricultor comum.

Confúcio explicou esse conceito básico de seus ensinamentos em uma conversa com o insistente Zilu, que perguntou a Confúcio o que ele faria em primeiro lugar se fosse encarregado de administrar um estado. “Seria preciso retificar nomes”, respondeu. A resposta enigmática deixou seu discípulo perplexo. “Então é isso?”, Disse Zilu. “Mas você está realmente longe do alvo!” Ligeiramente irritado, Confúcio teve de destrinchar a questão para ele. “Como és tosco, Zilu!”, retrucou o sábio. “Se os nomes não estiverem corretos, a linguagem não estará em conformidade com a verdade das coisas, os assuntos não poderão ser resolvidos. […] Assim, um homem distinto considera que os nomes que usa devem ser expressos apropriadamente, e também que aquilo que fala deve ser praticado apropriadamente”.

O que Confúcio está tentando dizer aí é na verdade bastante simples: todos tinham de fazer aquilo que se esperava que fizessem. Um ministro de um governo, por exemplo, devia cumprir os deveres de um ministro: administrar o Estado judiciosamente e servir ao seu soberano de modo leal. Se ele se esquivasse de suas responsabilidades, atuasse, em proveito de si em vez do bem público ou usurpasse o poder do soberano, não estaria cumprindo seus deveres ministeriais e assim não poderia ser honestamente qualificado de ministro.

Os cidadãos também tinham de cumprir com suas devidas responsabilidades: pagar impostos, servir nas forças armadas e ser reverenciosos para com o soberano. Se não se portassem assim, não poderiam ser cidadãos respeitáveis. Se os nomes não correspondessem à realidade, a confusão e a incerteza decorrentes causariam conflito dentro do governo, descontentamento em meio ao povo e desregramento social. — Ao “retificar” os nomes, Confúcio asseguraria que todas as pessoas cumprissem com suas devidas responsabilidades, com o que se minimizariam os desacordos e as práticas nocivas e se traria ordem à sociedade.

Confúcio e o mundo que ele criou, de Michael Schuman