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21 de janeiro de 2018

Confúcio esperava ainda mais do rei do que de um indivíduo comum. Ao se pautar rigorosamente por esses preceitos morais, o rei carregava a pesada responsabilidade de servir de paradigma de virtude para todos os demais do reino. Ele só poderia reinar aperfeiçoando-se e com isso aperfeiçoaria a sociedade em geral. “Estimule o povo a ser laborioso mediante seu próprio exemplo”, disse Confúcio certa vez quando lhe perguntaram sobre o ofício de governar. Em outra ocasião ele disse a um governante: “Se deres um exemplo sendo correto, quem ousaria permanecer incorreto?”.

De modo ainda mais enfático, ele julgava que um rei só podia impor sua autoridade sendo virtuoso. O povo o seguiria de bom grado. Seu reino se tornaria populoso e rico — ele conquistaria a China por meio da benevolência, não das armas. “O governo da virtude pode ser comparado à estrela polar, que merece a homenagem da multidão de estrelas sem sair do lugar”, afirmou Confúcio certa vez. O argumento de sua mensagem era o de que o poder moral era o poder genuíno.

É fácil entender a lógica por trás desse pensamento. Um rei virtuoso, altruísta, que dirija uma administração sensata e cuide do bem-estar do homem do povo, irá ganhar amplo apoio, ao passo que um governante que impinja impostos exorbitantes, gaste em profusão e nada faça enquanto o homem comum peleja para alimentar sua família só pode manter sua autoridade por meio da coerção, o que irá fazer com que o povo se volte contra ele.

Confúcio tem o discernimento de que políticas honestas, bondosas, podem proporcionar ao rei o importantíssimo apoio das massas mais facilmente do que leis e penalidades. Ele esperava que ao seguir esse caminho os governantes de seu tempo se tornassem como os antigos reis sábios, restabelecendo o governo virtuoso na China e inaugurando uma nova era de paz e prosperidade.

Confúcio e o mundo que ele criou, de Michael Schuman