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24 de janeiro de 2018

Os fortes sentimentos de Chiang para com sua esposa contribuíram muito para ele perdesse a China. Seu primeiro-ministro após a guerra sino-japonesa foi T. V. Soong, que era irmão de madame Chiang. Os Soong e os Kung, família do marido da irmã mais velha de madame Chiang, locupleraram-se com as políticas de T. V. Após a rendição japonesa, ele estabeleceu uma taxa de câmbio absurda de um para duzentos para a moeda do governo títere fora da Manchúria. Isso fez com que a riqueza da família engordasse, mas empobreceu toda a população das áreas do país que haviam sido ocupadas pelos japoneses, o que incluía cidades como Xangai e Nanquim, com o grosso da classe média chinesa.

Na época da rendição japonesa, Chiang parecia ser um vencedor coberto de glória, mas em pouco tempo mergulhou no declínio. Hiperflação, crises de abastecimento, entesouramento e pânico das compras se tornaram endêmicos nas cidades. Sob o comando de T. V. Soong, o governo conseguiu dissipar não somente as próprias reservas, como também as reservas em ouro e moeda estrangeira que herdou do governo títere.

Os Soong e os Kung tinham acesso às reservas em moeda estrangeira a taxas preferenciais, o que lhes permitia vender mercadorias americanas na China com enorme lucro, provocando o maior déficit comercial da história do país em 1946. Esse dumping causou a falência de fatias da indústria e do comércio e T. V. foi forçado a renunciar, depois de ser ferozmente atacado na Assembleia Nacional e na imprensa. Chiang ordenou uma investigação, que concluiu que empresas de Soong e Kung haviam convertido ilegalmente mais de 380 milhões de dólares.

Mas tudo que o que o Generalíssimo fez foi demitir T. V., o que chocou e afastou muitos seguidores devotados e incorruptos. A desmoralização acelerou-se no meio da população, enquanto muitos denunciavam o regime como “um bando de ladrões” e “sanguessugas”. A omissão de Chiang, em especial o fato de não enfrentar o mau procedimento da família de sua esposa, fez com que ele também perdesse apoio nos Estados Unidos.

Mao, de Jung Chang