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27 de janeiro de 2018

Em 20 de abril de 1949, um exército comunista de 1,2 milhão de homens começou a atravessar o Yangtze. No dia 23, tomou Nanquim, a capital de Chiang, acabando, na prática, com 22 anos de regime nacionalista na China continental. Naquele dia, Chiang foi de avião para Xikou, sua terra ancestral. Sabendo que seria provavelmente sua última visita, passou boa parte do tempo ajoelhado junto ao túmulo da mãe, rezando em lágrimas. Então, um barco o levou para Xangai e dali ele cruzou o estreito para a ilha de Taiwan.

Alguns meses depois, Mao pediu a Stálin aviões e submarinos pilotados por soviéticos para ajudar a tomar Taiwan em 1950, ou “até antes”, dizendo ao líder russo que o PCC (Partido Comunista) tinha um grande número de agentes infiltrados que haviam “fugido” junto com Chiang. Mas Stálin não estava preparado para se arriscar num confronto direto com os Estados Unidos numa área de tanta visibilidade e tensão e Mao teve de engavetar seu plano, permitindo que Chiang transformasse Taiwan numa fortaleza insular.

Por mais que detestasse os comunistas, o Generalíssimo não executou uma política de terra arrasada quando fugiu. Ele levou a maior parte da aviação civil do país — e muitos tesouros artísticos —, mas só tentou transferir para Taiwan um pequeno número de indústrias, sobretudo fábricas da área eletrônica. Essa tentativa foi bloqueada por um alto funcionário nacionalista e praticamente todas as instalações industriais significativas foram preservadas e tomadas pelos comunistas.

Mao não herdou um deserto em 1949; na verdade, recebeu o legado de uma estrutura industrial relativamente intacta, ainda que pequena, não menos que mil fábricas e minas, bem como um Estado em funcionamento. Chiang não chegava nem perto da impiedade de Mao. Como um crítico de ambos os regimes observou, “o velho sr. Chiang não era como o velho sr. Mao. Talvez por isso Chiang tenha sido derrotado por Mao”.

Mao, de Jung Chang