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28 de janeiro de 2018

Por que as ideias de Confúcio, tão altamente apreciadas em séculos posteriores, foram tão cabalmente ignoradas em seu próprio tempo? À primeira vista, seu insucesso pode parecer surpreendente. Como imperadores e dirigentes da China e de boa parte do resto do Leste Asiático viriam a considerar posteriormente, vários aspectos dos ensinamentos de Confúcio proporcionavam uma proveitosa base ideológica para o mando imperial. Ele visava revigorar, reformar e reforçar as instituições sociais e políticas tradicionais da China, não subvertê-las.

A forma de governo preferida por Confúcio era em seu tempo: a monarquia, um rei forte a dirigi-la. Em sua sociedade modelar, o rei merecia e recebia grande reverência de seus servidores e súditos. Para Confúcio, somente um imperador poderoso — denominado “o Filho do Céu” pelos confucianos —, com pleno comando de seu reino, podia governar com eficiência.

“Quando o bom governo prevalece no império, cerimônias, músicas e expedições militares punitivas procedem do Filho do Céu”, afirmou ele. “Quando o mau governo prevalece no império, cerimônias, músicas e expedições militares punitivas provêm dos senhores feudais. Quando essas coisas provêm dos senhores feudais, é raro que não percam seu poder em dez gerações”.

Confúcio e o mundo que ele criou, de Michael Schuman