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3 de fevereiro de 2018

O homem que se transformou no imperador Hongwu (que significa “extenso poder militar”) vinha de uma família camponesa muito pobre, ficou órfão aos 16 anos e foi mendigo, monge budista e rebelde. Até 1340, foi um personagem insignificante de um pequeno bando insubordinado num vilarejo assolado pela peste. Mas encontrara sua verdadeira vocação como bandido e rebelde contra regime mongol chinês. Sua posição e reputação cresceram rapidamente e logo passou a comandar um bando grande e independente.

Agora ele revelava sua visão estratégica. Outros chefes de grupos de bandidos concentravam-se em saquear cidades e juntar butim, ao passo que Zhu começou a conquistar locais de real importância estratégica. Em 1356 tomou Nanquim, que se tornou sua capital, e também a da China na dinastia Ming. Além disso, em vez de lutar com os mongóis, Zhu eliminou primeiro seus rivais na região sudeste. Em 10 anos, destruiu-os e transformou-se no único líder rebelde proeminente. Em 1368, seu exército, depois de conquistar de Shandong, até Guangdong, avançou para Pequim, o último imperador mongol fugiu, Pequim se rendeu e Zhu fundou sua nova dinastia.

O novo imperador era corpulento, com uma estrutura física forte, o rosto muito marcado pela varíola, queixo determinado e uma energia feroz. Aliava a paixão pelos preceitos e as prescrições das leis tradicionais chinesas à assistência aos pobres, com quem se identificava, e ao firme propósito de impor reformas, não só na administração central. Assim que assumiu o trono, o poder foi mais uma vez exercido por uma pessoa do governante, ou por uma delegação direta.

O governo era uma resposta à determinação de um só homem. A autoridade e o poder funcionavam por decisão imperial e o empenho para tê-los significava um esforço para conquistar favoritismo e confiança. Promoções e honrarias, ou então punições, eram também decisões tomadas a seu bel-prazer. A oposição, ou fracasso em realizar uma ordem, ocasionava desgraça ou morte.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber