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4 de fevereiro de 2018

No governo de Hongwu e de sua dinastia, que duraria 276 anos, o império cresceu e enriqueceu, com longos períodos de profunda e ampla paz interna. Mais uma vez ocorreram feitos notáveis na arte e na literatura, no teatro nos trabalhos em laca e cerâmica. É possível que os trabalhos em porcelana tenham sido insuperáveis. Algumas tribos da Ásia Interior chegaram a pensar que a porcelana chinesa tinha poderes sobrenaturais.

No entanto, ao observar o período Ming em conjunto, é difícil evitar duas impressões surpreendentes. Primeiro, que, num resumo geral e por todas as diferenças de detalhe, os principais fatores da ascensão e depois do declínio e queda da dinastia Ming são extremamente similares aos que afetaram os Tang e mais tarde atingiriam os sucessores dos Mings, os manchus.

Segundo, em cada caso, o ciclo relacionou-se às três dificuldades sobre postas que esses impérios nunca resolveram de fato e que por fim levaram as dinastias ao colapso. Eram conflitos com fronteiras voláteis e seus povos, sobretudo no norte, com o crescimento populacional e os problemas inerentes de controle econômico e político e as inadequações do núcleo imperial, centrado na pessoa do imperador e em seu séquito.

O Dragão e os Demônios Estrangeiros, de Harry G. Gelber