#504

7 de fevereiro de 2018

A história do Estado seguiu um curso diferente na Ásia, embora uma intensificação semelhante das operações estatais possa ser vista. Tanto o regime Tokugawa, no Japão, quanto a dinastia Qing, na China., fortaleceram a administração burocrática, exercendo um controle ainda mais estrito do que as dinastias anteriores. Na verdade, os europeus ficaram tão impressionados com a administração Qing que consideraram a China um modelo de burocratização do Estado — e é por isso que a palavra que os portugueses tomaram emprestada do sânscrito para se referir às autoridades chinesas tornou-se o nome universal dos poderosos burocratas estatais: “Mandarins”.

O Japão reagiu ao crescimento do comércio global fechando as suas fronteiras a todos, com exceção de alguns mercadores holandeses e chineses especialmente nomeados, buscando um modelo econômico autárquico. A China Qing permitiu o comércio marítimo limitado através de Cantão (a montante de Macau), mas os governantes manchus estavam mais voltados para a expansão continental do que para o poderio marítimo.

Os Impérios Britânico e Chinês acuaram um ao outro com posições comerciais monopolistas limitadas até o século XIX, quando os comerciantes da Companhia das Índias Orientais britânica solaparam economia política da China ao levar a Cantão carregamentos inteiros de ópio indiano, sugando da China enorme quantidade de prata e virando a favor dos britânicos a balança de pagamentos. Seguiu-se uma mudança do poder militar. A China levara a maior parte dos dois séculos posteriores para se recuperar do colapso das pretensões imperiais e para começar a se reconstruir como uma potência mundial.

O Chapéu de Vermeer, de Timothy Brook