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24 de fevereiro de 2018

Sua Mais Católica Majestade Leopoldo I, imperador do Sacro Império Romano, arquiduque da Áustria, rei da Boêmia e da Hungria, não admitia que nenhum mortal, com a exceção do papa, estivessem em posição equivalente à sua. Aos olhos do imperador Habsburgo, Sua Mais Cristã Majestade, o rei da França, não era nada além de um arrivista, um presunçoso de genealogia medíocre e pretenções detestáveis. O czar da Moscóvia era pouco mais notável do que qualquer outro príncipe oriental que vivia em tendas.

Leopoldo estava inabalavelmente seguro de sua posição. A Casa de Habsburgo era a mais antiga dinastia reinando na Europa. Por 300 anos, em sucessão contínua, a família havia usado a coroa do Sacro Império Romano, cuja história e as prerrogativas datavam de Carlos Magno. Ao final do século XVII, a Reforma Protestante e a Guerra dos Trinta Anos haviam diminuído o poder imperial; todavia, em termos de representatividade, o imperador continuava sendo o governante secular proeminente da cristandade.

Seu verdadeiro poder talvez estivesse se desvanecendo em comparação ao Rei Sol, mas um senso de superioridade — sombrio, medieval, semi-eclesiástico — continuava existindo. Preservar esse senso de sua posição era uma das principais preocupações de Leopoldo. Ele mantinha uma equipe de historiadores e bibliotecários aplicados que haviam conseguido, por meio de suas pesquisas, ligar a genealogia do imperador a vários notáveis, desde heróis e santos até Noé.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie