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1 de abril de 2018

Teoricamente, teria sido possível deixar as questões como estavam e permitir que não juramentados e constitucionais frequentassem suas próprias igrejas. Mas na França de 1800, essa não era uma solução factível, Teria saído de sintonia com toda a noção revolucionária de uma República indivisível, fora de sintonia com a nota mais forte da história da França: centralização. Além disso, teria sido desordenado, e desordem não tinha lugar na vida de Napoleão.

Em um banquete dado na igreja secularizada de Saint-Selpice quatro dias antes do Consulado, convidados proeminentes propuseram brindes. Lucien bebeu aos exércitos franceses em terra e mar, outro à República, e assim por diante. O brinde de Napoleão foi “à união de todos os franceses!”. Ao assumir o poder, Napoleão queria acima de tudo reconciliar as diferenças. Então agora, em matéria de religião. Em vez de favorecer um lado, Napoleão decidiu — e sua decisão lembrava muito a de Henrique IV — curar a ruptura entre as duas Igrejas.

Em abriu de 1802, Napoleão reabriu as igrejas da França. Os sinos da Igreja que estavam silenciosos havia uma década soaram por todo o país, dos pastos da Normandia até os vales das montanhas do Jura. Em Clermont Ferrand, o novo bispo, Dampierre, foi instalado solenemente. “Não conseguimos entender hoje em dia”, diz um oficial que fazia guarnição lá, “quão estranhas as cerimônias religiosas e as honras concedidas a um bispo pareciam naquele tempo”. Na catedral, o capitão da banda ordenava que as músicas mais ridículas fossem tocadas: por exemplo, quando o bispo entrava e na elevação da hóstia, “Ah! le bel oiseau, maman”.

No entanto, Napoleão havia adivinhado corretamente o humor do povo, e nenhum ato de seu governo se provou mais popular. Para um viajante inglês na estrada Calais-Paris, uma senhora com lágrimas nos olhos falou sobre sua gratidão pelo primeiro-cônsul “por nos devolver o domingo”.

Napoleão, de Vincent Cronin