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11 de abril de 2018

Durante o longo reinado de Leopoldo I, apesar da apatia do imperador e da característica sufocante de sua burocracia, as fortunas do império cresceram. Isso pode ter ocorrido por conta da influência de Deus, conforme acreditava Leopoldo, porém, mais imediatamente, nas últimas décadas de seu reinado, as perspectivas e o poder de Leopoldo descansavam na brilhante espada do príncipe Eugênio de Saboia.

O magro e curvado marechal de campo do Sacro Império Romano era italiano e francês de nascimento, seu título decorrente de um avô, duque de Saboia. Nasceu em Paris, em 1663, filho de Olympia Mancini, uma das beldades famosas da corte de Luís XIV, e do conde de Soissons. Como seu rosto e seu corpo frágil eram tão inadequados, sua candidatura para servir o exército francês foi rejeitada e ele foi encaminhado para uma carreira eclesiástica — aliás, Luís XIV chegou a chamar Eugênio, em público de Le Petit Abbé (O Pequeno Abade). As zombarias do Rei Sol custariam caro à França. Aos vinte anos, Eugênio foi até o imperador pedir um comando no exército imperial. A corte sombria de Leopoldo chamava a atenção de Eugênio, e sua intensidade e falta de frivolidade — qualidades que lhe haviam tornado alvo de zombarias em Versalhes — funcionaram a seu favor em Viena.

A chegada de Eugênio coincidiu com o segundo cerco turco de Viena em 1683 e, ainda com apenas vinte anos, ele assumiu o comando de um regimento de infantaria montada. Nos anos que se seguiram, deixou de lado seu desejo por um principado na Itália e dedicou a vida ao exército. Aos 26 anos, era general da cavalaria; aos 34, comandante do exército imperial da Hungria. Lá, em 11 de setembro de 1697, ele venceu o principal exército do sultão, três vezes maior que o seu, em uma batalha desesperada e decisiva em Zenta.

A paz foi breve. Logo ele se viu combatendo os inimigos do imperador nos Países Baixos, no Reno, na Itália e no Danúbio. Participou de duas das maiores vitórias do duque de Marlborough, em Blenheim e em Oudenarde, aceitando modestamente o papel de vice-comandante. Sua genialidade militar havia sido ofuscada pela de Marlborough, mas, enquanto a reputação deste último se resume aos dez anos de comando durante a Guerra da Sucessão Espanhola, a de Eugênio estende-se por 50 anos como soldado dos quais 30 como comandante supremo.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie