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21 de abril de 2018

Sete quilômetros ao norte da antiga cidade de Viena erguem-se as duas colinas gêmeas de Kahlenberg e Leopoldsberg; no leste da cidade, o Danúbio segue a sul em direção a Budapeste; no oeste ficam os campos e as Florestas de Viena. Entretanto, apesar de toda a sua paisagem magnífica, em termos de tamanho Viena não podia ser comparada a Londres, Amsterdã, Paris ou mesmo Moscou. Em primeiro lugar, isso se devia ao fato de que Viena, ao contrário das outras grandes capitais da Europa, não tinha um grande porto ou um centro comercial. Sua única função era servir como espaço para a Casa Imperial de Habsburgo e como centro administrativo do vasto território que se estendia do Báltico à Sicilia.

De fato, nos tempos de Pedro, a Casa governava dois impérios. O primeiro era o antigo Sacro Império Romano, uma união frouxa de Estados quase independentes na Alemanha e Itália cujos laços e antigas tradições datavam do Império de Carlos Magno, cerca de mil anos antes. O outro império, bastante separado e distinto, era um conjunto de tradicionais terras pertencentes aos Habsburgos na Europa Central — Arquiducado da Áustria, Reino da Boêmia, Reino da Hungria e outros territórios nos Balcãs recém-conquistados dos turcos.

Foi o primeiro deles, o Sacro Império Romano-Germânico, que concedeu ao imperador seu título e seu imenso prestígio, justificando o tamanho e a magnificência de sua corte. Todavia, o título era na verdade vazio, e o império quase totalmente de fachada. Os governantes desse conjunto de Estados distintos, os eleitores hereditários, margraves, landegraves, príncipes e duques decidiam por si mesmos a religião dos súditos, o tamanho dos exércitos e se, quando a guerra surgisse, lutariam ao lado do imperador, contra ele ou permaneceriam neutros.

Quando o assunto era ligado à discussão de políticas mais séria, nenhum desses senhores pensava em seus laços com o mestre imperial. Eles ou seus representantes faziam parte da Dieta Imperial de Regensburg, originalmente o órgão legislativo do império, mas que havia se tornado puramente consultivo e decorativo. O imperador não podia criar leis sem o consenso da Dieta, e as discussões jamais chegavam a um acordo, pois os enviados argumentavam infinitamente sobre a precedência. Quando um imperador morria, a Dieta se reunia e automaticamente elegia o próximo comandante da Casa de Habsburgo. Isso era tradicional, e a tradição era o único traço do antigo império que não recebera permissão de morrer.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie