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22 de abril de 2018

Apesar da superficialidade do título imperial, o imperador tinha sua importância. A força da Casa de Habsburgo, sua receita, seu exército e poder vinham dos Estados e territórios realmente governados por ela: Áustria, Boêmia, Morávia, Silésia, Hungria, e as novas conquistas, que se estendiam desde os Cárpatos até a Transilvânia e atravessavam os Alpes até o Adriártico. Também havia reivindicações dos Habsburgo ao trono da Espanha, com todas as posses espanholas pela Europa, incluindo a própria Espanha, os Países Baixos espanhóis (Bélgica), Nápoles, Sicília e Sardenha.

Esse segundo império analisava o sul e o leste em busca de perigos e oportunidades. Como uma barreira entre a Europa Oriental e os Balcãs, acreditava em sua sagrada missão de defender o cristianismo contra o avanço do Império Otomano. Os príncipes protestantes ao norte não tinham interesse pelos medos e ambições do imperador nos Balcãs, vendo-os apenas como uma questão particular da Casa de Habsburgo na qual, se o imperador quisesse apoio, teria de comprá-lo.

A Áustria era o centro e Viena, o coração do mundo Habsburgo. Era um mundo católico, fortemente amparado na tradição e em cerimônias elaboradas, ativamente guiado pelos jesuítas que nunca estavam distantes das deliberações dos conselhos de Estado ou do ombro do personagem imperial a quem Deus, eles garantiam, havia entregado uma confiança especial.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie