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29 de abril de 2018

Mesmo esse “Iluminismo moderado” encontrou oposição por parte da Inquisição e da hierarquia eclesiástica, que viam no ataque ao escolasticismo as raízes da heresia e da irreligiosidade. Apesar disso, nos meados do século era evidente que havia uma ampla discussão em muitos níveis da sociedade espanhola e portuguesa sobre as novas maneiras de pensar a sociedade, religião e os direitos individuais.

Sentia-se cada vez mais impacto das ideias e dos escritos estrangeiros nesses debates, e a questão do tolerantismo religioso e da aceitação da diferença cultural e religiosa era tida como elemento integrante do novo pensamento e do projeto de transformação tanto pelos reformadores quanto pelos que pretendiam preservar a sociedade tradicional.

Espanha e Portugal continuavam a ter na Europa a fama de países de fanatismo oficial, mas na verdade o conceito de religião natural e a ideia de liberdade de consciência se difundiam nos salões, na imprensa periódica e em diversos níveis da sociedade, a despeito do empenho dos tradicionalistas em defini-los como noções subversivas e heréticas.

Eles estavam se difundindo mesmo entre os elementos liberais do governo, que consideram o exclusivismo religioso prejudicial aos interesses comerciais e diplomáticos da Espanha e pretendiam promover a liberdade de consciência como forma de facilitar essas relações.

Cada um na sua lei, de Stuart B. Schwartz