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2 de maio de 2018

Em meados do século VIII, desenvolve-se a ideia de uma adoção global nas igrejas francas. Em 754, a igreja de Metz, cujo papel na vida política e intelectual da Austrásia, da dinastia de Pepino é bem conhecido, adota integralmente o rito romano. Pepino se mostra receptivo a isso e recomenda às outras igrejas do reino que sigam o exemplo. Foi então que, a pedido de Pepino, compilou-se um novo Sacramentário gelasiano, incorporando ao antigo uma parte do Sacramentário gregoriano.

Tem-se, assim, três sacramentários, e os bispos se confundem com eles. Uma tentativa para uniformizar o canto litúrgico vem, por sua vez, completar essa primeira reforma. Em 760, quando de uma viagem a Roma, o bispo de Ruão — um irmão do rei Pepino — fica encantado com a liturgia e traz com ele para a Gália um professor da escola cantorum do papa: pretende-se familiarizar os clérigos da Nêustria com as “modulações da salmodia romana”. Posteriormente, o bispo enviaria vários de seus clérigos para aprender mais em Roma. Tudo isso, porém, é mais uma série de boas intenções do que expressão de uma verdadeira vontade de reformar as práticas.

À época ainda se consideram os ritos romanos como melhores. Com Carlos Magno, passa-se a considerá-los como um dos fundamentos de uma necessária unidade da cristandade latina. E matam-se dois coelhos com uma cajadada: faz-se tábula rasa das contribuições orientais num momento — o caso das imagens está a todo o pano — em que se prefere nada ficar a dever a Bizâncio. Nesses anos em que a Igreja bizantina encontra-se abalada, o Ocidente desconfia de tais contribuições e, mais do que o papa, o rei dos francos arroga a si essa desconfiança.

A expansão na Germânia da Igreja franca se fará com base em uma liturgia puramente ocidental. O rei controla Roma o bastante para não temer repercussões políticas. Melhor ainda, é da corte franca que haverá de vir a renovação da liturgia romana. Em 785, o rei encarrega Alcuíno de York para fazer a adaptação desta, que doravante será a única em seus reinos.

Carlos Magno, de Jean Favier