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13 de maio de 2018

Outrora principal centro comercial e financeiro da Europa, Antuérpia entrara a essa altura num período de íngreme declínio comercial. A paz westfaliana em 1648 assinalara sua extinção, acabando com a livre navegação no importante rio Scheldt, assim desviando o comércio da cidade para Amsterdã, no norte. Mas seu longo período de prosperidade redera-lhe uma próspera vida artística, e quando Cristina chegou, as riquezas da cidade ainda se viam em todos os lugares.

Fora o lar de Rubens e Van Dyck. Jacob Jordaens, agora principal pintor da escola flamenga, continuava trabalhando ali; fora ele quem fornecera as 35 pinturas para a sala do trono de Cristina em Uppsala. Jan Boeckhorst se encontrava lá, também, um artista conhecido dela por um dos seus próprios agentes, Michel Le Blon, antigo espião de Oxentierna e ele mesmo um gravurista esplêndido. Aconselhado por Le Blon e seu segundo agente, Johan-Philip Silfvercrona, ela começou a adquirir novas pinturas e “objects d’art” que não podia dar-se o luxo de comprar, inclusive um marfim de Rubens da deusa do amor, e posou para seu retrato — dois retratos, na verdade, como Minerva e como Diana — de Justus van Egmont.

A própria cidade despertou-lhe grande interesse. Nada em Estocolmo se equiparava às belas igrejas e à adorável praça de mercado ali. A Storkyrla, onde Cristina fora coroada, teria sido apequenada pela grande catedral gótica de Notre Dame da Antuérpia, “a igreja mais magnífica do norte da Europa”, com sua flecha de mais de 120 metros de altura. No interior, a mão do mestre Rubens resplandecia dos retábulos, as maravilhosas cores vermelhas uma transcendência nobilíssima do sangue dos pombos locais.

Cristina Alexandra, de Veronica Buckley