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23 de maio de 2018

Na primavera de 1565, o grão-mestre tinha setenta anos. Atrás dele havia uma vida de serviço ininterrupto à ordem. Excepcionalmente entre os cavaleiros, a partir do momento em que vestiu a túnica da ordem, aos vinte anos, nunca mais voltou para a casa de sua família, na França. Ele dera tudo para a guerra em nome de Cristo: ferira-se gravemente em uma luta com corsários berberes; fora capturado e passara um ano como escravo de galera; servira como capitão-general das galeras e governador de Trípoli.

Como homem nascido no século XV, La Valette remetia-se ao espírito da cruzada feudal: severo, inflexível, ardente, imbuído de um sentido de missão cristã que irritava profundamente os venezianos. O soldado Francisco Balbi escreveu:

“Ele é alto e robusto, de presença marcante e tem a dignidade de um grão-mestre. Sua compleição é um pouco triste, mas para sua idade, é muito forte […] ele é muito devoto, tem boa memória, sabedoria, inteligência e ganhou muita experiência em sua carreira, em terra e no mar. É moderado e paciente e sabe muitas línguas.”

Impérios do Mar, de Roger Crowley