#572

7 de julho de 2018

O Báltico é um mar setentrional, de um azul brilhante sob a luz do sol, cinza turvo sob a neblina e a chuva, e dourado intenso ao pôr do sol, quando o mundo se transforma no verdadeiro âmbar que só pode ser encontrado nessas encostas. Nas costas ao norte, o Báltico é adornado por florestas de pinheiros, fiordes de granito vermelho, praias de seixos e uma miríade de ilhas minúsculas. A costa sul é delicada: lá, um litoral esverdeado é recortado por praias de areia branca, dunas, pântanos, e falésias baixas e cobertas de lama. As longas extensões, habitadas por cardumes e tomadas por areia, abrem espaço para lagoas rasas.

Apesar de as terras serem pantanosas e planas, quatro rios históricos correm para o mar: Neva, Duína, Vístula e Oder, todos lançando água doce no oceano, o que faz a corrente predominante ser para fora do Báltico. Por esse motivo, é difícil a água salgada entrar no Báltico e não há correntes em Riga, Estocolmo ou na foz do Neva. É a falta de sal que permite a criação do gelo. O inverno chega ao Báltico no final de outubro com fortes geadas e flocos de neve à noite. Em outubro, nos tempos de navegação, navios estrangeiros deixavam o local, descendo pelo Báltico, os cascos cheios de ferro e cobre, os deques carregados de enormes quantidades de madeira. Os capitães nativos do Báltico manobravam seus navios em direção ao porto, esvaziavam-nos e deixavam os cascos presos no gelo até a primavera.

Ao final de novembro, Kronstadt e São Petersburgo já estavam congeladas; em dezembro, o mesmo acontecia com Talim e Estocolmo. O mar aberto não congelava, mas o gelo que soltava e os frequentes temporais dificultavam a navegação. O pequeno canal entre Suécia e Dinamarca com frequência se enchia de gelo solto, e, em alguns invernos, ficava totalmente congelado — 1658, um exército sueco marchou pelo gelo para surpreender o inimigo dinamarquês com um ataque. A metade norte do Golfo de Bótnia é composta por gelo sólido desde novembro até o início de maio.

A primavera faz o gelo derreter e a vida retornar mais uma vez ao Báltico. As frotas de mercadores começam a chegar de Amsterdã e de Londres. Manobravam pelo canal de menos de 5 quilômetros de extensão, passando entre colinas baixas e o famoso castelo de Helsingor a estibordo e os penhascos da costa sueca, próximos ao porto, a bombordo. Em junho, o Báltico se via tomado pelas velas: navios mercantes holandeses, com a água da cor do cobalto ricocheteando contra suas proas arredondadas e o vento abrindo as enormes velas, misturavam-se aos cascos fortes de carvalho de embarcações inglesas enviadas para buscar mastros e longarinas, alcatrão e terebintina, resinas, óleos e linho para velas, sem os quais a Marinha Real não conseguia sobreviver.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie