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8 de julho de 2018

Além da produção de ferro e do cobre, essa riqueza também era construída com o império. O século XVII foi a era da grandeza da Suécia. Desde a ascensão, aos 16 anos, de Gustavo Adolfo, em 1611, até a morte de Carlos XII, em 1718, o país esteve no ápice de sua história imperial, cobrindo toda a costa norte do Báltico e os principais territórios ao longo da costa sul. Isso incluía toda a Finlâdia e também Carélia, Estônia, Ingria e Livônia, envolvendo, assim, toda a área ao redor do Golfo da Bótnia e do Golfo da Finândia. A Suécia detinha o controle da Pomerânia ocidental e dos portos de Estetino, Stralsund e Wismar, na costa da Alemanha do Norte. Governava os bispados de Bremen e Verden, a oeste da península dinamarquesa, dando acesso ao Mar do Norte. E também controlava a maioria das ilhas do Báltico.

O comércio era ainda mais importante do que os territórios. Aqui, a supremacia sueca era assegurada pela instalação da bandeira azul e amarela na foz de todos os rios — com a exceçao de um — que corriam para o Báltico: o Neva, na cabeça do Golfo da Finlândia; o Duína, que encontrava o mar na região pantanosa próxima a Riga; e o Oder, que alcançava o Báltico em Estetino. Somente a foz do Vístula, que corria para o norte, atravessando a Polônia e desembocando no Báltico em Gdánsk, não era sueca.

O fato de esses vastos territórios serem posse de uma coroa cuja população mal ultrapassava 1,5 milhão de habitantes era uma conquista dos grandes comandantes e fortes soldados suecos. O primeiro e o maior deles foi Gustavo Adolfo, o Leão do Norte, salvador da causa protestante na Alemanha, cujas campanhas o levaram até o Danúbio, morrendo aos 38 anos enquanto guiava uma carga de cavalaria contra um exército imperial comandado por Wallenstein.

A Guerra dos Trinta Anos, que continuou após sua morte, terminou com a Paz de Vestfália, que recompensou com abundância os esforços da Suécia. O país conquistou as províncias alemãs que lhe concederam controle da fozes do Oder, do Weser e do Elba. Essas posses germânicas também resultaram em uma anomalia: a Suécia, Senhora Protestante do Norte, também era parte do Sacro Império Romano e tinha assentos na Dieta Imperial. Mais significativo do que esse poder vazio, todavia, era o acesso à Europa Central que esses territórios concederam à Suécia. Com eles servindo como pontas de lança no continente, os soldados suecos podiam marchar até qualquer outro ponto da Europa, e isso tornava o país uma força a ser considerada em todos os cálculos de guerra e paz do continente.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie