#578

17 de julho de 2018

A resposta inglesa à matança tem sua epítome na reação de Edmund Grindal, futuro bispo de Londres, em geral moderado, que pediu que todos os católicos ingleses fossem presos e que a cabeça de Maria Stuart fosse cortada imediatamente. À medida que a descrição dos horrores perpetrados contra os huguenotes franceses continuava a chegar a Inglaterra — pois o massacre original logo se espalhou pelas províncias francesas —, o clamor de Grindal por medidas de emergência passou a unir muitas vozes.
Francis Walsingham, que abrigara huguenotes em fuga em sua casa durante a crise, passou uma lista de pessoas assassinadas para o Conselho Privado da rainha. Como muitos protestantes, ele acreditava que Roma e Madri estavam agora em conluio para o que nosso século reconheceria como a “Solução Final”. Uma perspectiva ganhou crédito no decorrer dos anos seguintes: a de que o Massacre do Dia de São Bartolomeu ocorrido em 1572 era o indicio de que uma solução negociável não era mais exequível, e que a ofensiva era a única estratégia possível para a preservação da fé protestante.

Em termos de política internacional para a Inglaterra, não se poderia considerar de imediato o prosseguimento dos acordos com os franceses. Por outro lado, Carlos IX da França, completamente destituído de política relativa aos protestantes, mais do que nunca precisava dos ingleses. Se Elizabeth esperava se contrapor à ambição imperial da Espanha, a longo prazo, e às “genocidas” políticas das facções ultracatólicas na França e em Roma, ela precisava de tempo, e para isso era necessária uma conciliação com os espanhóis. Um confronto direto era impraticável. Tanto Elizabeth quanto Felipe da Espanha estavam agora preparados para sair do impasse do fim da década de 1560.

Pelo Tratado de Bristol, de 1574, os embargos comerciais contra a Inglaterra nos Países Baixos espanhóis foram finalmente suspensos após os ingleses aceitarem encerrar seu apoio de ataques à navios mercantes católicos e indenizarem parte das perdas sofridas pelos espanhóis desde 1568. Elizabeth passou três dias nessa cidade portuária, chegando em cortejo, montada a cavalo numa sela verde-esmeralda com orlas douradas. A sela sobrevive, tendo usufruído uma longevidade maior que o acordo, o qual assinalou o último breve período (de seis anos) de paz entre a Inglaterra e a Espanha pelo resto do século.

Elizabeth, de Lisa Hilton