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19 de julho de 2018

De início, a estratégia de Elizabeth em relação a Espanha e aos holandeses após o tratado assinado em Bristol, de 1574, parece contraditória, quando não contra-producente. Gostasse dos holandeses ou não (em geral não gostava), Elizabeth não podia permitir que a Espanha os suprimisse por completo, embora isso tivesse de ser feito, ao mesmo tempo que se evitava um confronto direto com Felipe — que faria a agressão progredir até o ponto em que nenhum dos lados poderia escapar. Com relutância, Elizabeth continuou a drenar recursos para os protestantes dos Países Baixos, enquanto alegava “neutralidade” para os espanhóis, na esperança de um acordo que preservasse tanto a autoridade monárquica quanto um conceito vago de “antigas liberdades”.

Felipe emitiu alguns sinais de reconhecimento da confederação orangista, conhecida como Estados Gerais, e da retirada completa de seus exércitos. Contudo, em 1578, quando os protestantes foram derrotados na batalha de Gembloux, a causa holandesa parecia perdida aos olhos dos ingleses, a menos que Elizabeth se dispusesse a intervir, o que tanto Leicester quanto Walsingham a pressionara a fazer.

Além disso, dom João da Áustria não foi discreto quanto a seu apoio à medida, proposta pelo papa, de substituir Elizabeth por Maria Stuart, projeto que o papa Gregório XIII promovia com a ideia de casar a rainha da Escócia com um pretendente católico adequado. Dom João naturalmente via a si mesmo como esse pretendente, e, embora um romance seu com Maria nunca viesse a acontecer — ele morreu de peste logo após Gembloux —, o recrudescimento da ambição espanhola sobre as províncias parecia ameaçador.

Mais intimidadora ainda foi a ascensão de Felipe ao trono de Portugal, no outono de 1580. O fato de ele ser um reivindicante legítimo, pela linhagem da mãe, a rainha Isabel, não era consolo para os portugueses, que de início declararam não ter intenção de aceitar a soberania da Espanha. Mas a chegada do enérgico duque de Alba acompanhado por 50 mil homens logo os fez mudar de ideia. Felipe passou a controlar não somente a grande riqueza espanhola no Novo Mundo, mas também as possessões portuguesas, assim como a Armada lusitana. O oceano Atlântico e o Pacífico estavam efetivamente sob controle espanhol, o que significava também grande parte do comércio europeu.

Elizabeth, de Lisa Hilton