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7 de agosto de 2018

O comércio e o transporte era a fonte de enorme riqueza do país. Os holandeses do século XVII eram um povo comerciante e que se beneficiava com o mar. Os dois portos irmãos de Amsterdã e Roterdã, situados nas duas fozes do Reno, estavam nas junções dos canais europeus e seus mais importantes rios com os oceanos do mundo. Quase tudo que entrava e saía da Europa e atravessava o mar passava pela Holanda. Estanho inglês, lã espanhola, ferro sueco, vinhos franceses, peles russas, especiarias e chás indianos, madeira norueguesa e lã irlandesa seguiam para o país para serem classificados, finalizados, tecidos, misturados, e transportados por vias aquáticas.

Para transportar esses bens, os holandeses tinham quase o monopólio do transporte mundial. Quatro mil comerciantes holandeses — mais embarcações comerciais do que o restante da frota mundial somada — navegavam pelos oceanos do mundo. A Companhia Holandesa das Índias Orientais, fundada em 1602, e a mais recente Companhia Holandesa das Índias Ocidentais contavam com escritórios em todos os maiores portos do mundo.

Os navegadores holandeses, combinando o vigor dos exploradores com o calculismo dos negociantes, estavam sempre em busca de novos mercados e novos portos. Conforme os navios iam incessantemente de uma lado para o outro, bens e lucros acumulavam-se e os comerciantes holandeses tornavam-se mais e mais ricos. Novos serviços foram desenvolvidos na cidade de Amsterdã para proteger e estimular os negócios: o seguro foi criado para diminuir riscos, bancos e bolsas de valores encontraram formas de oferecer créditos e fomentar empréstimos públicos em escalas sem precedentes com o objetivo de financiar grandes empreendimentos comerciais; gráficas passaram a imprimir contratos, informações sobre cargas e todo os múltiplos formulários capaz de organizar, anunciar e confirmar as milhares de transações de negócios que ocorriam diariamente.

Riqueza gerava confiança, confiança gerava crédito, crédito gerava mais riqueza e o poder e a fama da Holanda se espalharam ainda mais. O país era um verdadeiro modelo de Estado mercantil rico e bem-sucedido, um paraíso comercial que recebia jovens vindos de toda a Europa protestante — em especial da Inglaterra e da Escócia — para aprender as técnicas comerciais e financeiras da supremacia holandesa.

Pedro o Grande, de Robert K. Massie