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11 de agosto de 2018

Em maio de 1667, o rei da França enviou uma carta amistosa à sua sogra, a recentemente viúva rainha da Espanha. Informou-lhe de que com a morte de seu marido, e estando o pagamento total do dote de sua filha ainda pendente, partes dos Países Baixos espanhóis tinham agora sido “devolvidas” a Maria Teresa [esposa de Luís XIV] — efetivamente para si mesmo. Sem esperar por uma resposta, declarou que a paz entre França e Espanha, os oito anos da Paz dos Pireneus assinada em 1659, selada por seu próprio casamento, tinha chegado ao fim.

Os partidários de Luís XIV apresentaram isso como uma medida necessária para proteger a França de invasões do norte através dos Países Baixos espanhóis, mas outros viam como seu primeiro passo num resoluto empreendimento de engrandecimento nacional e pessoal. A diplomacia tinha sua utilidade, mas para Luís, como para a maioria de seus contemporâneos, o uso da força militar, em quase qualquer circunstância, era uma legítima declaração de autoridade política: em outras palavras, o poder fazia o direito.

Além disso, como registrou em benefício de seu filhinho. “Quando agimos em contravenção a um tratado, na realidade não o estamos infringindo, porque ninguém o toma literalmente. Se eu não tivesse rompido a Paz dos Pireneus, teria sido negligente em meu dever para com o Estado: os espanhóis teriam sido os primeiros a rompê-lo se eu não tivesse feito”.

Duas semanas após a carta enviada à rainha da Espanha, eles partiram para Flandres sob a liderança do veterano marechal Turenne, para travar sua “Guerra da Devolução”. Com a fraca defesa das cidades dos Países Baixos espanhóis e com a incapacidade dos próprios espanhóis, com seu império em declínio terminal, de pagar por reforços, as tropas francesas encontraram tão pouca resistência que apelidaram debochadamente a campanha de “la promenade militaire” — o passeio militar.

A Esposa Secreta de Luís XIV, de Veronica Buckley