#632

20 de outubro de 2018

“A antiga resistência parlamentar ficou fora de moda”, escreveu Colbert. “Já faz tanto tempo que as pessoas mal se lembram dela.”

Quanto aos príncipes, estavam bastante ocupados, ao que parecia, fazendo dinheiro e politicagem social na corte novamente vibrante — “um antídoto às conspirações e Frondas”, como Luís XIV tinha observado. Portanto, não foi para distrair seus nobres e salvaguardar sua própria posição em casa que o rei e seu ministro decidiram agora entrar em uma guerra estrangeira. Antes, era uma questão de prosperidade nacional, pelo menos para Colbert; para Luís era uma questão de orgulho nacional.

Colbert era um “mercantilista” convicto, conforme era moda na época; acreditava na rígida proteção do comércio de seu próprio país e no ataque irrestrito ao de outros. Como ministro das Finanças e secretário de Estado da Marinha, estava numa posição perfeita para administrar os dois lados da equação, com total controle sobre tarifas, taxas e todas as embarcações do país, não apenas os navios e galés da frota de guerra, mas também os da mercante, o que era muito lucrativo.

Por enquanto as duas frotas eram pequenas em comparação com as das outras potências — a sueca, por exemplo, ou a inglesa, e especialmente a holandesa —, mas em breve as coisas ficariam diferentes: Colbert já tinha colocado em ação um grande programa de expansão naval. Quando estivesse finalizado, acreditava, a França poderia sair vitoriosa nessas contínuas “guerras por dinheiro”, já que, por natureza, era mais abundantemente dotada do que qualquer outra nação da Europa. Somente a França era grande e populosa o bastante, com cidades suficientemente inventivas, clima e terras diversificados e férteis, para prover todas as suas necessidades e ainda ter produtos e bens para guardar e para vender fora de suas fronteiras.

Tudo sonho e retórica: em um homem menos poderoso que Colbert isso teria sido reconhecido imediatamente como o pensamento ilusório que era. A França era rica apenas em potencial. Não tinha bancos, nem bolsa de valores, nem mesmo um tesouro nacional apropriado. As necessidades do Estado eram financiadas intermitentemente por empréstimos de “banquiers” (mercadores, na realidade) ao rei, em geral a juros de 25%. As imensas dívidas resultantes eram na maior parte das vezes reduzidas pela desvalorização da moeda, um passo tático e astuto, talvez, mas estrategicamente ingênuo, já que encorajava os mais abastados a manterem suas riquezas “paradas” em pratarias elaboradas e outros bens domésticos caros, reduzindo, assim, o volume de dinheiro em circulação e dificultando o comércio em todo o país.

A França era rica em terras e pessoas, e deveria ser rica de fato, mas em 1672, a minúscula República Holandesa, assolada por ventos, com terras semi-inundadas e com seu insignificante um milhão e meio de almas (a França tinha mais de 22 milhões), era muito mais rica — na verdade, era de longe o país mais rico da Europa. Era mais do que Luís podia suportar. Sua vontade foi mais que suficiente para começar a guerra.

A Esposa Secreta de Luís XIV, de Veronica Buckley